domingo, 28 de agosto de 2016

Embaixada da Rússia no Brasil comenta sobre a situação na Síria.

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Nos últimos dias os meios de comunicações ocidentais e no Oriente Médio, em grande parte, pelo que parece, sob influência dos parceiros estadunidenses, tem vindo a aumentar a retórica de pressão dirigida à Rússia devido às ações da nossa Força Aérea na Síria. São pronunciadas as acusações sem fundamento, de acordo as quais a Rússia alegadamente seja responsável pela violência em andamento naquele país, que, dizem eles, os russos interferiram de modo desajeitado no curso do conflito civil, que as suas bombas matam dezenas de mulheres e crianças, destroem hospitais, escolas e creches.

É claro que esta histeria nos meios de comunicação distante da realidade persegue objectivos políticos específicos. Vamos tentar entender quais são.

É que para nós, e, com certeza, não só para nós, o curso americano nos assuntos sírios não parece muito lógico e consistente. De um lado, Washington diz compartilhar a visão sobre a necessidade de esforços coletivos mais intensos a fim de eliminar o foco da ameaça terrorista global na Síria. 

De outro lado – a possibilidade de aumentar a sua própria contribuição para o combate ao terrorismo até o nível correspondente ao potencial dos Estados Unidos – os americanos continuam a condicionar por garantias de certas trocas pessoais nas autoridades da República Árabe da Síria. 

Washington concorda com que “Jabhat al-Nusra”, recentemente renomeado para “Jabhat Fateh al-Sham”, é uma organização terrorista, mas não aplica ataques aéreos contra este agrupamento, além disso, há quase um ano que se recusa a compartilhar conosco as informações sobre a localização dos membros da “Jabhat al-Nusra” e se tolera o fato de que os grupos da oposição armada síria, “supervisionados” por eles, interagem com terroristas no âmbito de sedes operacionais comuns. 

Verbalmente, as autoridades dos EUA repetidamente prometeram-nos conseguir a demarcação entre aqueles que eles consideram os participantes do regime da cessação das hostilidades, e os membros da “Jabhat al-Nusra” e estabelecer, deste modo, as condições para o fortalecimento do regime da cessação das hostilidades, a transição para um cessar-fogo em todo o país, mas as coisas, como se costuma dizer, não estão mudando. Ao invés de tomar medidas práticas nesse sentido, os americanos estão colocando cada vez mais novas condições, que de fato são destinadas a permitir aos membros da “Jabhat al-Nusra” e aos seus aliados de combate recuperarem o fôlego para eles continuarem o confronto coercivo com as tropas de governo da República Árabe da Síria.

Não há mais clareza quanto à posição dos Estados Unidos sobre a promoção de solução política do conflito sírio. Os alicerces de tal solução, como é sabido, foram acordados e aprovados nas resoluções do Conselho de Segurança da ONU, nas decisões do Grupo Internacional de Apoio à Síria, registrados no Comunicado de Genebra de 2012, e a Parte Americana fez uma contribuição significativa para a elaboração desses documentos.

Ao mesmo tempo, obviamente não está dando certo na área da implementação prática das disposições acordadas, inclusive do “roteiro” da regularização, principalmente devido à abordagem não construtiva daquela parte da oposição síria que está orientada, em particular, para os Estados Unidos. Entretanto, os americanos referem-se ao fato de que esta oposição é, primeiro, alegadamente independente e, segundo, escuta não só Washington, mas também algumas capitais regionais. 

Mas para trabalhar com tais oposicionistas e com aqueles que podem influenciá-los foi criado o assim chamado “Grupo de Amigos do Povo Sírio”. Qual é o resultado das suas atividades no que se refere ao estabelecimento de diálogo inter-sírio inclusivo, em conformidade com Resolução 2254 do Conselho de Segurança da ONU, não está claro.

Surge uma pergunta (e, provavelmente, não só entre nós): o que é isso – a impotência dos Estados Unidos ou uma postura consciente de alguém para que o conflito sírio demore a ser resolvido? A tentativa de flertar com os membros da “Jabhat al-Nusra” tem perigo de criar mais um monstro terrorista.

Oferecendo aos Estados Unidos e a outros parceiros abandonarem a retórica destrutiva, reafirmamos a disposição para a interação bona fide e eficiente no combate à ameaça universal de terrorismo na Síria e na região. Estamos prontos para continuar a fazer tudo o que pudermos, inclusive no âmbito dos formatos coletivos, a fim de ajudar os sírios a conseguirem a solução mais breve possível da crise prolongada na República Árabe da Síria, partindo da base jurídica internacional acordada.
Fonte: Embaixada da Rússia no Brasil.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Eleições 2016. Candidata Rose Sales propõe limitar acesso de grandes veículos a São Luís.

Do Repórter Maranhão - TV Brasil
Repórter Maranhão, telejornal local da TV Brasil, entrevistou hoje (26) a candidata à prefeitura de São Luís, Rose Sales, do Partido da Mulher Brasileira (PMB). Ela respondeu perguntas sobre tema livre, infraestrutura, mobilidade urbana e saúde. Ela é a quinta, de nove candidatos, que estão sendo entrevistados pelo telejornal. 


Confira abaixo a entrevista:
  
Pergunta do internauta Jorge Assunção: São Luís é cidade patrimônio da humanidade que não preserva o seu patrimônio arquitetônico. Temos um caso polêmico: o da estátua da Iara, retirada da base da praça do largo da Sé e hoje está em um museu. Colocaram um obelisco no lugar. Temos outros bustos na mesma situação. Como essa situação seria resolvida?

Rose Sales: Eu quero dizer para o Jorge, e para todo o nosso povo de São Luís, que o compromisso do governo Rose Sales, do governo do Partido da Mulher Brasileira (PMB), é também revitalizar e restaurar o nosso Centro Histórico, respeitar a nossa geração sociocultural e fortalecer nosso patrimônio, que hoje está muito abandonado. Faremos isso de uma forma bastante certa, com investimento focado para a revitalização, para devolver a garantia do uso fruto do Centro Histórico para todo o nosso povo. Para isso pensamos na garantia, não só da restauração do acervo arquitetônico da estrutura física dos nossos casarões, mas na garantia de um repensar da mobilidade urbana do Centro Histórico, da garantia de investimentos governamentais. Buscaremos não só a esfera do governo federal, mas também organismos internacionais.

Repórter Maranhão: Desde 2001, o Ministério Público tenta obrigar o município a restaurar as quase 30 feiras em São Luís. Sabemos que elas enfrentam diversas dificuldades de infraestrutura, saúde, higienização e outros. O que a senhora fará para resolver esses problemas?

Rose Sales: Nós temos 28 feiras e mercados, 36 feiras livres. Cheguei a apresentar com os feirantes e com os sindicatos de classes justamente uma prioridade do governo federal. Nós abrimos esse diálogo com o governo federal, pedindo que tivesse, durante o atual governo, uma remessa de recursos para a revitalização das feiras, mercados e feiras livres. Já tive oportunidade de fazer a reconstrução da Feira do Anil, que há 40 anos ninguém comercializava nada e adentrava. Faremos um plano de gestão compartilhada para as feiras, que eu construí junto com os feirantes e sindicatos, eu irei implementar. Nós iremos garantir a gestão compartilhada com a responsabilidade bem demarcada da prefeitura.

Repórter Maranhão: No Centro Histórico, você citou anteriormente que entre os problemas está a circulação de veículos naquela área. Muito já se fez para resolver o problema, inclusive estacionamento rotativo, mas a população não obedeceu essa legislação. De que forma pode-se resolver esse problema na mobilidade no Centro Histórico?

Rose Sales: Nós iremos fazer um trabalho de interligação, integração das políticas públicas. Não se faz garantia de direito, prestação de serviço ao cidadão, sem essa integração. Para haver o respeito e preciso ter educação do trânsito, nas escolas e campanha junto à população. Em relação ao Centro Histórico, nosso pensamento é garantir que não haja essa ampla circulação dos veículos pesados. Nós vamos instituir um Centro de Distribuição e Logística na zona rural de São Luís. Vamos limitar o acesso dos grandes veículos na cidade, isso vai influir no aspecto da pavimentação urbana e no Centro Histórico. Iremos construir uma nova cultura em relação ao trânsito no Centro Histórico, voltando ao estímulo de circulação de micro-ônibus para diminuir o impacto dos veículos de grande porte na área. Vamos constituir o plano cicloviário de São Luís, iremos investir em veículos de massa para que tenhamos uma qualidade e eficiência na garantia da mobilidade urbana.

Repórter Maranhão: Muito se fala na construção de novos hospitais, urgência e emergência e outros. Só que o problema de saúde é bem mais amplo, principalmente com a coleta de esgoto, que é bastante precária e isso faz com que doenças apareçam. Como será resolvida a questão da saúde da população?

Rose Sales: Iremos fazer um plano municipal de resíduo sólido, o plano municipal de gestão integrada de resíduo solido, uma perspectiva de olhar para toda ilha de São Luís. Há políticas estratégicas que iremos estimular, um processo de gestão através da interligação das várias prefeituras. A saúde, nós iremos estruturar a concepção dessa política, onde faremos um plano de gestão hospitalar. Faremos a restruturação dos Hospitais Socorrões I e II, das unidades mistas e lutaremos pela municipalizaçõo das nossas UPAs, buscando compactuar com o governo do estado uma gestão integrada.

Repórter Marnhão: Candidata, suas considerações finais.

Rose Sales: Quero dizer a toda São Luís, agradecendo à TV Brasil pelo espaço democrático, que a nossa candidatura é compromissada com o cidadão. Quero fomentar o asseguramento das políticas públicas e o funcionamento delas na forma real. Fazer investimento e crescimento dos setores produtivos, gerar novos postos de trabalho, abertura de novos negócios e fazer com que a política de geração de renda seja real no nosso governo. Como também da mulher, da pessoa com deficiência, da negritude, da juventude, de toda política de afirmação de direitos. Para isso que sou candidata a prefeita de São Luís, do Partido da Mulher Brasileira. Quero dizer que nossa candidatura representa um ganho para nossa cidade.

Edição: Carolina Pimentel

Eleições 2016 - STF autoriza emissoras a convidarem Candidatos de menor representatividade para debates eleitorais.

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Por maioria de votos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu na sessão desta quinta-feira (25) dar interpretação conforme a Constituição Federal a dispositivo da Lei 9.504/1997 para definir que os candidatos que têm participação garantida pela norma em debates eleitorais não podem vetar a presença de candidatos convidados pela emissora organizadora, mesmo que esse convidado não atenda ao requisito legal que garante a participação no evento.
A lei diz que a participação em debates está assegurada para candidatos de partidos que possuam mais de nove deputados na Câmara dos Deputados, facultada a participação dos demais pretendentes. Os ministros mantiveram, no entanto, as regras de distribuição de tempo da propaganda eleitoral.
A decisão foi tomada no julgamento conjunto das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 5423, 5487, 5488, 5491 e 5577, ajuizadas por partidos políticos e pela Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV (Abert) para questionar pontos da chamada minirreforma eleitoral referentes à propaganda eleitoral gratuita e aos debates eleitorais no rádio e na TV.
O julgamento teve início nesta quarta-feira (24) com os votos dos relatores das ações, ministros Dias Toffoli e Rosa Weber, e dos ministros Luís Roberto Barroso e Ricardo Lewandowski.
Propaganda eleitoral
A maioria do Plenário, a respeito das modificações legislativas referentes à propaganda eleitoral gratuita, acompanhou o voto do ministro Dias Toffoli, relator, pela improcedência da ADI 5491.
Para o STF, as regras estabelecidas pela Lei Eleitoral (artigo 47 da Lei 9.504/1997) quanto à distribuição do tempo de propaganda eleitoral de maneira proporcional ao número de representantes na Câmara dos Deputados respeitam os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade.
Divergiram, neste ponto, os ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Para o ministro Marco Aurélio, a lei, ao prever para os maiores partidos da coligação tempo maior de propaganda eleitoral, impõe barreira aos partidos menores. Segundo o ministro, sem o respeito do Estado pelas minorias, “é impossível cogitar-se de estado democrático”. O ministro Celso de Mello também defendeu que às minorias não pode ser vetado o direito de oposição. “A regra legal rompe a igualdade de participação dos que atuam no processo eleitoral”, disse.
Debate eleitoral
Quanto aos questionamentos das ADIs 5423, 5487, 5557 e 5488, nas quais os partidos atacavam as regras que restringem a participação das agremiações com menos de 10 parlamentares nos debates eleitorais, os ministros, por maioria, decidiram que as emissoras podem convidar candidatos de partidos de representatividade mínima no Congresso, sem que os candidatos aptos possam vetar essa participação. A proposta foi levantada no início do julgamento no voto do ministro Roberto Barroso pela parcial procedência da ADI 5487, para conferir interpretação conforme a Constituição ao parágrafo 5º, artigo 46, da Lei 9.504/1997.
Nesse ponto, o ministro Dias Toffoli reajustou seu voto e concordou com a proposta do ministro Barroso. Para Toffoli, a possibilidade de a emissora convidar para debate eleitoral candidato não apto pela lei, sem a necessidade da concordância dos demais candidatos, “pode sim trazer maior densidade democrática ao processo eleitoral”. Votaram nesse sentido também os ministros Edson Fachin, Luiz Fux, Gilmar Mendes e Cármen Lúcia.
Pela procedência total da ação, votaram os ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Neste ponto, para Celso de Mello, a regulação normativa não pode comprometer o debate público, sob pena de transgredir a democracia deliberativa, “o que culminaria por aniquilar o direito básico que impõe ao Estado respeito ao princípio de igualdade de oportunidades”.
O ministro Teori Zavascki divergiu e votou pela improcedência desta ação. Para o ministro, “incluir uma categoria de participante que não está na lei trata-se de inovação no sistema escolhido pelo legislador”. Zavascki foi acompanhado pela ministra Rosa Weber e, no mesmo sentido, já havia votado o ministro presidente, Ricardo Lewandowski, no início do julgamento da ação.
Resultado
No julgamento conjunto desta tarde, o Plenário decidiu, por maioria, pela improcedência das ADIs 5423, 5491 e 5577. Também por maioria, pela parcial procedência da ADI 5487, para dar interpretação conforme a Constituição Federal ao parágrafo 5º do artigo 46 da Lei 9.504/1997.
Ficou suspensa a proclamação do resultado do julgamento da ADI 5488 para aguardar a manifestação do ministro Luís Roberto Barroso, ausente justificadamente na sessão de hoje.
SP/FB
Processos relacionados
ADI 5487
ADI 5423
ADI 5488
ADI 5491
ADI 5577

Link: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=323850

Eleições 2016 - Candidato Eduardo Braide defende que São Luís protagonize a metropolização.

Do Repórter Maranhão - TV Brasil

O Repórter Maranhão, telejornal local da TV Brasil, entrevistou hoje (25) o deputado Eduardo Braide (PMN), candidato a prefeito de São Luís. Ele respondeu perguntas sobre cultura, mobilidade urbana, educação, cidadania, infraestrutura e ao tema livre. Ele é o quarto, de nove candidatos, que estão sendo entrevistados. 
 

Confira abaixo a entrevista:


Pergunta da telespectadora Vitória, produtora cultural: Gostaria de saber quais as propostas de políticas públicas para melhorar o acesso à cultura: música, cinema, teatro e tudo o que envolve a cultura popular do Maranhão e de forma gratuita.

Eduardo Braide: Em nosso plano de governo tem a instituição do programa municipal de cultura. É importante destacar que a cultura de São Luís não pode ficar resumida em dois períodos, que é o período de Carnaval e o período de São João, e esse programa municipal de cultura prevê a execução de ações e atividades culturais ao longo de todo ano com a participação de artistas locais tanto na parte de formação como na parte de finalização dos eventos culturais. Ao lado disso, nós temos a firme missão de implementar e ampliar o programa Pontos de Cultura do governo federal. Sabemos que o governo federal tem um trabalho belíssimo nessa área, mas que a atual administração não soube aproveitar como deveria. Nós ampliaremos esse programa, principalmente nas comunidades mais vulneráveis.

Repórter Maranhão: Como priorizar o transporte coletivo público diante de uma licitação [a licitação para o setor de transporte público foi realizada em junho] cujos vencedores foram as mesmas empresas que há décadas monopolizam o transporte público e diante de uma cidade que cresceu desordenadamente?

Eduardo Braide: Vamos começar pela questão do transporte público dos ônibus. Na prática, nós tivemos três aumentos de passagem, tivemos a retirada da domingueira [todos os usuários pagavam meia passagem aos domingos] e tivemos a implantação da biometria facial, que segundo a SMTT [Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte] reduziu em 20% as fraudes no sistema operacional de transporte. Mas, se por um lado, tivemos o lado econômico dos empresários, por outro lado não tivemos a melhoria da qualidade dos ônibus. Aí o que eu sugiro ao atual prefeito: que não assine nenhum contrato de concessão antes de termos os resultados das eleições. Não é justo ele como prefeito agora assinar um contrato que poderá ser revisto por um novo gestor. E em relação à mobilidade urbana, eu entendo que São Luís precise de um transporte de massa, primeiro para a área Itaqui Bacanga [área onde fica localizado o Distrito Industrial] e para a zona rural de São Luís. O grande problema do transporte de massa são as desapropriações. O traçado por onde o transporte vai gera muitas desapropriações e com isso um volume muito alto. Qual a solução que eu apresento para São Luís? Um tipo de transporte que foi implantado em Porto Alegre que é uma espécie de VLT na via terrestre e passa por elevações de concreto e essa elevação serve para reduzir os custos com desapropriação, fazer com que as pessoas permaneçam no seu local e tenham benefício no sistema de transporte.

Repórter Maranhão: São Luís vive em uma crise educacional com relação à infraestrutura das escolas, greves, atrasos no ano letivo e isso influencia negativamente o aprendizado. Qual a sua proposta político pedagógica para reverter essa situação?

Eduardo Braide: Nós precisamos, antes de falar em um plano pedagógico, é falar em ter a educação de forma normal, que é a educação regular, que não está sendo feita em São Luís. Daí eu proponho, em um primeiro momento, investimentos para haver melhorias na qualidade do nosso ensino. Nossa primeira proposta é a criação da guarda municipal escolar, porque primeiro, nosso maior patrimônio, são as nossas crianças, as nossas escolas. Aí você corta gastos com o serviço de terceirização de segurança e é exatamente com esses recursos que nós pretendemos reformar as escolas e ampliar, evidentemente, discutindo com a categoria, de que forma poderemos melhorar o sistema pedagógico em São Luís.

Repórter Maranhão: Qual o seu projeto para intensificar a rede de proteção à mulher e LGBT.

Eduardo Braide: No meu programa de governo tem um item específico que é o Cuidar das Pessoas. Na política voltada para a mulher, tem uma lei como deputado estadual [o candidato está em seu segundo mandato] que garante emprego e renda às mulheres que foram vítimas de violência doméstica. Basta ela apresentar o boletim de ocorrência ou o laudo de uma assistente social que será encaminhada junto à Secretaria de Estado do Trabalho e Economia Solidária para uma oportunidade de emprego e geração de renda. E em relação à política LGBT, é um grupo que precisa de atenção, precisa da mão do estado, no caso a prefeitura para que junto com eles discutam ideias para que possam ter a atenção necessária, seja na área da secretaria de saúde, seja na área da secretaria de educação. É uma política transversal que terá que ter a atenção de todas as secretarias do município.

Repórter Maranhão: A cidade sofre há décadas com o problema de abastecimento de água, de falta de coleta de esgoto. O senhor foi presidente da Caema [Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão] e não conseguiu resolver esse problema. Qual a sua proposta para resolver esse problema no âmbito municipal?

Eduardo Braide: Como presidente da Caema, fiquei um ano e três meses à frente da Caema, onde realizei o maior concurso público da história da Caema; criei o programa Água em Minha Casa, que foi levar água para os 100 municípios mais pobres do Maranhão e isso fez com que, de acordo com a Pnad [Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios], o Maranhão tivesse aumentado o Índice de Desenvolvimento Humano. A solução para o abastecimento de água é a implantação do Sistema Italuís 2. Mas não adianta cobrar só da Caema se a prefeitura de São Luís não faz a sua parte. a prefeitura de São Luís nunca aprovou o seu plano de saneamento básico e, se até 2017, não implantar o plano municipal de saneamento básico, todos os recursos do governo federal, inclusive a duplicação do Italuís serão suspensos por uma omissão, uma ausência. Então, como prefeito, iremos debater o plano municipal de saneamento básico, e com a experiência que tenho de ter sido presidente da Caema, vamos buscar recursos tanto no âmbito federal, do Bird para que possamos tornar realidade a implantação do Italuís 2.

Repórter Maranhão: São Luís é um polo de atração populacional dentro da área metropolitana, influenciando o crescimento dos outros municípios. Como o senhor pretende trabalhar essa gestão metropolitana com os outros municípios?

Eduardo Braide: Fui o relator que instituiu a região metropolitana de São Luís, no ano passado. Fui relator da lei que prevê a criação da Agência Metropolitana, do Conselho Metropolitano, do Fundo Metropolitano, onde existe a previsão de recursos. Quero dar uma informação a você que nos assiste: São Luís hoje já não é composta apenas pelos quatro municípios [São Luís, Paço do Lumiar, Raposa e São José de Ribamar], mas por 13 municípios: Alcântara, os municípios da Região do Munim e até o município de Santa rita. A nossa ideia é que o prefeito de São Luís precisa ser o protagonista da metropolização e existem, inclusive, linhas de créditos exclusivas tanto do Banco Mundial, tanto do Bird para investir em regiões metropolitanas. No Congresso, discute-se até as formas de destinação de recursos do governo federal e um dos critérios será estabelecido o da destinação de recursos para as regiões metropolitanas, porque você resolve o problema de um grande contingente populacional, de problemas crônicos e você acaba tendo um impacto muito positivo no que diz respeito à vida dessas pessoas. Outra vantagem da região metropolitana é acabar com essa discussão estéril de dizer onde é Paço do Lumiar, onde é Ribamar, onde é Raposa. Isso é desculpa de quem não quer trabalhar. O verdadeiro gestor tem que trabalhar e a metropolização vai acabar com essa discussão dos limites.

Repórter Maranhão: Suas considerações finais.

Eduardo Braide: Quero agradecer a você que nos assiste, quero dizer que tenho um plano de governo para São Luís, para que São Luís seja uma cidade muito melhor. E é por isso que sou candidato a prefeito, com a experiência de ter sido gestor do Poder Executivo como presidente da Caema, como secretário municipal do orçamento participativo e por estar no meu segundo ano de mandato como deputado estadual e você pode ter certeza que com um plano de governo concreto é possível fazer de São Luís uma cidade muito melhor, uma cidade que você se orgulhe de morar. E eu quero também que São Luís se desenvolva e não pode ficar só nessa de esperar recursos estaduais e federais. É preciso criar seus próprios mecanismos de crescimento. Em nosso plano de governo existe a criação da Agência de Desenvolvimento Econômico de São Luís para captar recursos de organismos internacionais e da iniciativa privada para que você more em uma cidade com ruas e avenidas melhores, com saúde melhor.

Nesta sexta-feira (26), a entrevistada no estúdio do Repórter Maranhão será Rose Sales (PMB).

Entrevistas


Os nove candidatos à prefeitura responderão a perguntas nas áreas de educação, saúde, esporte, mobilidade urbana, cidadania, infraestrutura e cultura. Os temas são sorteados ao vivo.

A participação do eleitor durante o programa está garantida. Perguntas poderão ser enviadas previamente por meio do telefone (98) 3334-3706, Whatsapp (98) 98506-1296, pelo e-mailjornalismo.ma@ebc.com.br e ou pela página do Repórter Maranhão no Facebook.

As entrevistas tem duração de 14 minutos. Os candidatos ainda tem 2 minutos para as considerações finais.

A ordem dos entrevistados foi definida por sorteio. As entrevistas são conduzidas pelas jornalistas Ely Coelho e Luanda Belo e transmitidas ao vivo pelo Facebook. A íntegra estará disponível na página do Repórter Maranhão na rede social.


Edição: Carolina Pimentel.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Para Londres, a propaganda é uma arte. Por Thierry Meyssan.

Foto - Voltairenet
Thierry Meyssan, faz aqui uma revisão quanto ao uso de crianças pela Coligação Internacional durante a guerra contra a Síria. Como em todas as guerras, esta contra a Síria dá lugar a uma avalanche de propaganda. E o argumento das crianças dá sempre resultado.
Assim, no início da guerra, o Catar queria demonstrar que a República, longe de servir o interesse geral, desprezava o Povo. A petro-ditadura difundiu, então, através do seu canal de televisão Al-Jazeera, a lenda das crianças de Deraa, torturadas pela polícia. Para ilustrar a crueldade do seu adversário, o Catar precisou que lhes haviam arrancado as unhas. É claro, apesar das suas pesquisas, nenhum jornalista encontrou o mínimo traço destas crianças. A BBC bem difundiu a entrevista de duas, mas elas tinham as unhas intactas.
Como a mistificação não era verificável, o Catar lançou uma nova história: a de uma criança, de Hamza, Ali Al-Khateeb (13 anos), que teria sido torturado e castrado pela polícia do «regime». Desta vez, dispunham de uma imagem de prova. Toda a gente podia observar nela um corpo sem sexo. Azar! A autópsia demonstrou que o corpo tinha sido mal preservado, que tinha fermentado e inchado. O ventre deformado escondia o sexo da criança, mais um falhanço.
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Neste jornal, Sir Arthur Conan Doyle imagina a captura de um espião alemão por Sherlock Holmes. O escritor trabalhava para o Gabinete da Propaganda de guerra.
No final de 2013, os Britânicos tomaram a cargo a propaganda de guerra. Eles dispõem de uma longa experiência na matéria, e são considerados como os inventores da moderna propaganda com o Gabinete de Propaganda de Guerra, criado na Primeira Guerra mundial. Uma das características dos seus métodos é sempre o de ter recorrido a artistas, já que a estética neutraliza o espírito crítico. Em 1914, eles recrutaram os grandes escritores da época –-como Arthur Conan Doyle, H.G. Wells ou Rudyard Kipling--- para publicar textos atribuindo crimes imaginários ao inimigo alemão. Depois, eles recrutaram os grandes jornais para espalhar as informações imaginárias dos seus escritores.
Assim que os norte-americanos assumiram o método britânico, em 1917, com o Comité de Informação Público, eles estudaram com mais profundidade os mecanismos de persuasão com a ajuda do jornalista vedeta Walter Lippmann e do inventor da publicidade moderna, Edward Bernays (o sobrinho de Sigmund Freud). Mas, convencidos do poder da ciência, eles esqueceram a estética quanto a este assunto.
No início de 2014, o MI6 britânico criou a empresa Innovative Communications & Strategies (InCoStrat) [Comunicações Inovadoras e Estratégias] à qual se deve, por exemplo, os magníficos logos dos grupos armados, do mais «moderado» ao mais «extremista». Esta empresa, que dispõe de escritórios em Washington e em Istambul, organizou a campanha destinada a convencer os Europeus a acolher 1 milhão de refugiados. Ela realizou a fotografia de Aylan Kurdi, afogado numa praia turca, e conseguiu em dois dias fazê-la publicar, como manchete, nos principais jornais atlantistas, em todos os países da OTAN e do Conselho de Cooperação do Golfo.
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A cada ano, antes da guerra, uma centena de pessoas morria afogada nas praias turcas mas ninguém falava sobre isso. E, acima de tudo, apenas os jornais sensacionalistas mostravam os cadáveres. Bom, mas esta fotografia estava tão bem enquadrada...
Como eu tinha salientado que um corpo não pode ser rejeitado pelo mar perpendicularmente às ondas, o fotógrafo explicou, depois do golpe, ter deslocado o cadáver devido às exigências da foto.
Esta foto do menino Omran Daqneesh (de 5 anos), numa ambulância em Alepo Oriental, é, além disso, acompanhada de um vídeo. Os dois meios permitem atingir tanto a imprensa escrita como as televisões. A cena é tão dramática que uma apresentadora da CNN não resistiu a chorar, ao vivo, ao vê-la. É claro, quando se reflete a propósito, observa-se que a criança não é cuidada por socorristas, que lhe providenciem os primeiros socorros, mas, sim, por figurantes (os «White Helmets») que o sentam em frente das objetivas.
Os realizadores britânicos não se importam com a criança que só lhes interessa para realizar as suas imagens. De acordo com a Associated Press, a fotografia foi tirada por Mahmoud Raslan, o qual vemos também no vídeo. Ora, segundo a sua conta do Facebook este homem é um membro de Harakat Nour al-Din al-Zenki (grupo apoiado pela CIA, que lhe forneceu mísseis anti-tanque BGM-71 TOW). Sempre segundo a sua conta do Facebook, e confirmado por um outro vídeo, foi ele pessoalmente quem, a 19 de julho de 2016, degolou uma criança Palestiniana, Abdullah Tayseer Al Issa (de 12 anos).
As leis europeias enquadram de forma estrita o papel de crianças na publicidade. Manifestamente, estas não se aplicam à propaganda de guerra.
Tradução - Alva

Hillary Clinton voa 35km em jato privado, para participar de reunião dos Rothschild em Nantucket e recolher fundos de campanha.



21/8/2016, Tyler Durden, Zero Hedge.

Traduzido por Vila Vudu.

Como noticiamos há poucos dias, Bill e Hillary Clinton passaram a noite de 6ª-feira em Martha’s Vineyard celebrando os 70 anos de Bill. Foi negócio grande, que valeu a trabalheira de Obama, que deixou p’rá lá os flagelados da enchente em Louisiana e correu para a festa.


Agora se sabe que, na manhã seguinte, Hillary, que não é de perder tempo com arranjos de viagens plebeias, embarcou em seu jato privado e voou 30 quilômetros até Nantucket onde os Rothschilds organizavam uma reunião para levantar fundos de campanha. Evento aberto a todos… quer dizer, a todos que possam pagar $100 mil por cabeça, pelo convite. Façamos votos de que aí esteja um bom sinal de que a coisa do aquecimento global já foi resolvida e todos podemos dormir em paz, certos de que estamos protegidos de ataques violentos nas mãos do GUP (Grande Urso Porco) [ManBearPig].

Mas… não se pode culpá-la. É exaustivo correr de um lado a outro do país, para cidades como Cleveland, Ohio, e ter de mostrar aos trabalhadores o quanto você “dá duro” para obrigar os “ricos” a arcar com a parcela que lhes cabe por justiça.

Contudo, porque não somos do tipo que deixa a realidade atrapalhar uma boa versão, nós simplesmente ignoraremos um postado recente, cá nesse blog, em que demonstramos como os Rothschilds estão usando Nevada como paraíso fiscal onde ricos investidores internacionais podem escapar de impostos (vide nosso postado “Rothschild Humilha Obama e revela que EUA são o maior paraíso fiscal em todo o mundo” [ing.]): 

A secular instituição financeira europeia Rothschild abriu uma trust company em Reno, Nev., a poucos quarteirões dos cassinos Harrah’s e Eldorado. Agora, está transferindo as fortunas de ricos clientes estrangeiros, retirando-as de paraísos fiscais como Bermuda, sujeitos a novas leis internacionais de transparência, para os trusts que os Rothschild dirigem em Nevada, que são isentos.
* * *
Para consultores financeiros, o atual estado de coisas é simplesmente boa oportunidade de negócios. Num rascunho da apresentação que fez em San Francisco, Penney, da [instituição] Rothschild, escreveu que os EUA “são efetivamente o maior paraíso fiscal do mundo”. Os EUA, acrescentou ele, em trecho que depois foi apagado no texto final da palestra, “não têm meios para fazer cumprir a legislação fiscal de outros países, e bem pouco apetite para fazê-lo.”

Temos absoluta certeza de que a reunião para levantar fundos foi apenas oportunidade conveniente para que Clinton discutisse com os Rothschilds o que fazer para pôr fim aos muitos privilégios fiscais dos quais gozam os bilionários amigos dela.*****




sábado, 20 de agosto de 2016

Russia. Putin dá luz verde aos economistas nacional-desenvolvimentistas que resistem contra as políticas globalistas neoliberais.

2/8/2016, F. William Engdahl, New Eastern Outlook

Traduzido por Vila Vudu

Depois de mais de dois anos de crescimento econômico cada vez menos satisfatório e com a economia lutando contra taxas de juros de 10,5% do banco central, que tornam virtualmente impossível que novos créditos estimulem o crescimento, o presidente russo Vladimir Putin afinal rompeu um impasse interno, entre dois blocos de especialistas.


Dia 25 de julho, deu ordens para que um think tank de economistas, o Stolypin Club, prepare propostas para estimular o crescimento do país, a serem apresentados ao governo no 4º trimestre do ano em curso.[1]aumentar o investimento

Ao fazê-lo como o fez, Putin rejeita e desautoriza duas influentes facções de economistas liberais e/ou neoliberais, que, com sua ideologia ocidentalizante a favor do que chamam de ‘livre mercado’, levaram a Rússia à recessão politicamente e economicamente perigosa em que o país se debate hoje.

É movimento de enorme importância, que eu pessoalmente já esperava, desde que tive oportunidade de trocar ideias com colegas economistas em junho passado, no Fórum Econômico Internacional anual, em São Petersburgo.
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Praticamente sem fanfarras, e sem grande entusiasmo, a mídia-empresa russa trouxe uma nota que pode vir a ter a mais profunda e positiva repercussão sobre o futuro da economia nacional russa. O blog (russo) Katheon, publicou que “O presidente da Rússia Vladimir Putin instruiu [o grupo Stolypin, de economistas] a concluir o relatório do Stolypin Club e, a partir daquele trabalho, preparar um novo programa de desenvolvimento econômico, que configure alternativa ao plano econômico de Kudrin. O programa deve ser entregue ao Gabinete do Conselho Econômico no 4º trimestre de2016.”


No seu comentário, Katheon observa o principal significado da decisão de abandonar a abordagem neoliberal claramente destrutiva, também chamada “de livre mercado”, do ex-ministro de Finanças Alexei Kudrin: “O Relatório do Clube Stolypin aconselha a aumentar investimentos, bombear dinheiro do orçamento do Estado para a economia e emissão de moeda pelo Banco da Rússia. Ao contrário disso, o conceito do Centro para Pesquisa Estratégica (Alexei Kudrin) sugeria que os investimentos teriam de ser privados e caberia ao Estado apenas garantir estabilidade macroeconômica, inflação baixa e baixo déficit no orçamento.”

Kudrin fracassou

Na situação atual de sanções severas, econômicas e financeiras, do ocidente contra a Rússia, o fluxo do esperado investimento privado para a economia, como prega o campo Kudrin, é fraco (para dizer o mínimo). Cortar o que já é déficit mínimo no orçamento só aumenta o desemprego e piora a situação.

O presidente Putin deu-se claramente conta de que o tal “experimento” neoliberal fracassou. Mais provavelmente, o presidente foi forçado a deixar que a realidade econômica se desenrolasse sob o domínio dos neoliberais, até o ponto em que ficou perfeitamente visível para os grupos internos que se tornara absolutamente indispensável e urgentíssimo encontrar outra saída.

Na Rússia, como em todos os países, há interesses privados instalados dentro do Estado; agora afinal esses interesses de contornos neoliberais estão suficientemente desacreditados pelo desempenho pífio do ‘projeto’ Kudrin; e o presidente Putin parece ter decidido que é hora de agir mais decisivamente.

Em todos os casos, o movimento que se observa agora em torno do Grupo Stolypin é muito positivo para a Rússia.

Dia 25 de maio, na reunião do Conselho Econômico russo, depois de um hiato de dois anos, o presidente Putin, ao observar que o grupo era constituído, deliberadamente, de visões divergentes, disse: “Proponho que comecemos hoje a trabalhar com as fontes de crescimento para a economia da Rússia, com vistas à próxima década (…) A dinâmica atual mostra que as reservas e recursos que serviram como forças motrizes de nossa economia no início dos anos 2000 já não estão produzindo os efeitos que então produziam. Já disse no passado e quero reforçar o mesmo ponto hoje: o crescimento econômico não é processo que se ponha em andamento por si mesmo. Se não encontrarmos novas fontes de crescimento, veremos o PIB crescer zero ou perto de zero; nesse caso, nossas possibilidades no setor social, de defesa e segurança nacional e em outras áreas serão consideravelmente inferiores em relação ao que têm de ser, para que consigamos levar o país a desenvolvimento real e a real progresso.”

Agora, três meses adiante, Putin obviamente já decidiu. Claramente está de olhos postos na próxima eleição presidencial russa em março de 2018. Ao fazê-lo, selecionou o único grupo, dos três que constituem o Conselho Econômico, que realmente acredita no papel positivo do Estado no processo de estimular o desenvolvimento da economia nacional.


O Grupo Stolypin está em vários sentidos ligado ao espírito que fez acontecer o “milagre econômico” alemão depois de 1871, cujas ideias geraram o mais impressionante crescimento econômico a partir do atraso em que então vivia a Europa, no período de apenas três décadas. Os dois únicos países que se aproximam daquela realização dos alemães foram os EUA depois de 1865, e a República Popular da China depois de 1979 com o “Socialismo com características chinesas” de Deng Xiaoping. O modelo de desenvolvimento econômico nacional baseia-se no trabalho de um economista nacionalista alemão do século 19, Friederich List, que desenvolveu os traços básicos do modelo.

Três Campos
Durante os anos da Terapia de Choque de Boris Yeltsin nos anos 1990s, economistas de Harvard como Jeffrey Sachs, financiados pelo meta-saqueador George Soros, operaram como conselheiros de Yeltsin. As políticas desastrosas da equipe econômica de Yeltsin, liderada então por Yegor Gaidar, implementaram a privatização com liquidação de patrimônio do Estado, entregue por preços desavergonhadamente baixos a investidores ocidentais, dentre os quais o próprio Soros.

Aqueles economistas promoveram reduções drásticas no orçamento do Estado, cortes nos padrões de vida, eliminação de aposentadorias e pensões da população. Tudo feito, sempre, em nome da “reforma do livre mercado”. Depois daquele trauma, começando na primeira presidência de Putin em 1999, a Rússia iniciou um doloroso processo de recuperação, não com a terapia de choque de Gaidar-Harvard, mas contra e apesar dela – tributo à coragem e à determinação do povo russo.

Por inacreditável que possa parecer, aqueles ideólogos dos livres mercados, seguidores do falecido Gaidar, mantêm até hoje virtual monopólio sobre as políticas dos ministérios de Economia e Finanças da Rússia.

Têm sido ajudados pela líder de outro campo monetarista, ligeiramente diferente, mas igualmente destrutivo: a presidenta do Banco Central da Rússia, Elvira Nabiullina, que parece obcecada com controlar a inflação e estabilizar o rublo.


Em maio passado, o presidente Putin deu o primeiro sinal de que estava já aberto à ideia de que muito se devia suspeitar, e bem pouco confiar, no que seus ministros de economia e finanças viviam a repetir: que “a recuperação está muito próxima, logo ali, virando a esquina” (como consta que Herbert Hoover teria dito no início da Grande Depressão dos EUA em 1930). O presidente da Rússia convocou o Pleno do Conselho Econômico – que não se reunia já há dois anos –, e ordenou que lhe trouxessem um plano, para resolver os problemas econômicos da Rússia.

Aquele Pleno é constituído de 35 membros que representam os três principais campos em que se divide a gestão da Economia da Rússia.

O ex-ministro neoliberal das Finanças Alexei Kudrin comandava um dos campos apoiado pelos atuais ministros das Finanças Anton Siluanov, e da Economia Alexey Ilyukayev. Esse grupo prega que se apliquem os tradicionais ‘remédios’ do laissez-faire ocidental: drástica redução do papel do Estado na Economia mediante a privatização desmedida de tudo: ferrovias, empresas de energia (como a Gazprom) e tudo que possa ser vendido do patrimônio do Estado. Kudrin também foi nomeado por Putin para copresidir o novo grupo econômico estratégico de 35 membros criado em maio. Muitos economistas do grupo pró-desenvolvimento nacional temeram o pior dessa nomeação, sobretudo o renascimento da teoria do choque de Gaidar, um Mach II. Hoje já se vê claramente que nada disso acontecerá. A abordagem de Kudrin já foi claramente rejeitada como demonstradamente ineficaz.

O segundo grupo era representado pela presidenta do banco central da Rússia, Elvira Nabiullina. É o grupo mais conservador, dos que entendem que nenhuma reforma é necessária nem, e muito menos, qualquer estímulo econômico. Basta manter rota fixa, com taxa de juros do banco central sempre abaixo de dois dígitos e isso – sabe-se lá como! – acabará por matar a inflação e estabilizar o rublo, como se disso dependesse todo o potencial crescimento econômico da Rússia. De fato, parece ser o meio mais seguro para matar lentamente a economia e produzir inflação.

Grupo Stolypin
O terceiro bloco sempre foi ridicularizado pelos ‘observadores’ ocidentais. A organização Straford, ligada ao Pentágono-EUA referiu-se a eles como um “estranho coletivo.” Conheço pessoalmente e já conversei diretamente com o grupo, e, para quem tenha clara consciência moral, nada há de estranho com eles.

Esse é o grupo que, depois de dois meses desde que Putin anunciou seu projeto para desenvolver a Rússia, emergiu agora com mandado oficial para expor seus planos para repor a Rússia na trilha do desenvolvimento.

O grupo, essencialmente, trabalha com projetos do que o grande e quase esquecido economista alemão do século 19 Friedrich List chamaria de estratégias de “economia nacional”. A abordagem de List, de base econômica histórico-nacional, sempre esteve em oposição direta ao pensamento econômico da escola do ‘livre mercado’, do então dominante pensamento britânico de Adam Smith.

As ideias de List foram crescentemente integradas à estratégia econômica do império alemão, iniciada sob a Zollverein ou União Aduaneira Alemã de 1834, que unificou todo o mercado interno alemão. À altura dos anos 1870s, já havia criado a base para a mais colossal emergência da Alemanha como rival econômica da Grã-Bretanha, que, em 1914, já superara os britânicos em todas as áreas.

Esse terceiro grupo, o Grupo Stolypin, na reunião de maio de 2016, incluía Sergei Glazyev e Boris Titov, copresidente de Business Russia, e “ombudsman de negócios” da Rússia desde que o cargo foi criado em 2012. Esses dois economistas, Titov e Glazyev (conselheiro de Putin para assuntos da Ucrânia, dentre outros temas) são membros fundadores do Stolypin Club na Rússia. Em 2012, Glazyev[2] foi nomeado por Putin, então primeiro-ministro, para coordenar o trabalho das agências federais no desenvolvimento da União Aduaneira com Belarus, Cazaquistão e Rússia, que hoje constitui a União Econômica eurasiana. Titov, que também é presidente do Partido da Causa Certa (“Partido do Crescimento“), é empresário russo bem-sucedido que, em anos recentes, voltou a trabalhar em vários projetos de economia politica dentro do Estado, frequentemente em declarada oposição às ideias liberais de livre mercado de Kurdin. Importante, Titov também é copresidente do Conselho de Comércio Russo-Chinês.

Indicação ampla do tipo de propostas que virão do Grupo Stolypin para reviver na Rússia um substancial crescimento econômico e enfrentar os graves déficits básicos de infraestrutura que tão gravemente emperram qualquer empreitada produtiva veio numa série de propostas que Glazyev apresentou em setembro de 2015 ao Conselho de Segurança Nacional da Rússia, corpo consultivo que trabalha muito perto do presidente Putin.

Naquela ocasião, Glazyev propôs um ‘mapa do caminho’ quinquenal para o crescimento de longo prazo e a soberania econômica da Rússia. O objetivo era tornar o país imune a choques externos e à influência externa e, no limite, a arrancar a Rússia da periferia para pô-la no centro do sistema econômico global. Entre as metas está elevar a produção econômica em 30-35% no período de cinco anos; criar uma “economia do conhecimento” socialmente orientada, mediante a transferência de recursos econômicos substanciais para educação, atenção à saúde e para os serviços sociais em geral; criar instrumentos que visem a aumentar a poupança como porcentagem do PIB; e outras iniciativas, inclusive uma transição para uma política monetária soberana.

Em 1990, a mais alta prioridade de Washington e do FMI era pressionar Yeltsin e a Duma para que “privatizassem” o Banco do Estado da Rússia, com uma emenda à Constituição que ordenava que o novo Banco Central da Rússia, como o Federal Reserve ou o Banco Central Europeu, passasse a operar  como entidade puramente monetarista, cujo objetivo seria controlar a inflação e estabilizar o rublo. De fato, o mecanismo para criar dinheiro na Rússia foi retirado da soberania do Estado e conectado ao dólar norte-americano.

O plano de Glazyev em 2015 também propunha que se usassem os recursos do Banco Central para prover empréstimos orientados para empresários e indústrias, de modo a garantir-lhes taxas subsidiadas de juros, entre 1-4%, o que seria possível graças a um ‘alívio quantitativo’ da ordem de 20 trilhões de rublos num período de cinco anos. O programa também sugeria que o Estado apoiasse empresários mediante a criação de “obrigações recíprocas” para a compra de produtos e serviços por preços fixados. Glazyev também propôs que o rublo fosse fortalecido como alternativa ao sistema já falido do dólar; para tanto, o Estado deveria comprar ouro, como lastro para a moeda. E propôs que o banco central fosse obrigado a comprar toda a produção de ouro das minas russas a um determinado preço, para aumentar o lastro do rublo. A Rússia é hoje o segundo país maior produtor de ouro.

Obviamente o presidente russo já se apercebeu de que qualquer avanço que a Rússia venha a obter no campo da política externa sempre poderá ser imediatamente desvalorizado por economia que não responda à real necessidade do país – o calcanhar de Aquiles da Rússia, como comentei em outro artigo. O anúncio feito por Putin no dia 25 de julho tem potência para reverter esse risco, se o projeto for levado a cabo com determinação em todos os níveis.  Aí, cabe ao presidente a responsabilidade de expor com clareza a estratégia de seu governo para os próximos cinco anos. É prazo útil para que se avaliem resultados, sem nada a ver com os velhos planos quinquenais dos soviéticos, como De Gaulle da França também compreendeu bem.

Ao oferecer aos cidadãos uma visão clara do futuro, Putin pode mobilizar os notáveis recursos humanos da Rússia para literalmente conseguir o impossível: converter em prosperidade genuína uma economia esfacelada; e prosperidade erguida sobre fundamentos muito mais sólidos que os do laissez-faire monetarista do ocidente, hoje já em bancarrota. Bravo, Rússia!*****

[1] Sobre o mesmo assunto, ver também “Governo russo está revendo as políticas neoliberais”, 10/8/2016, Paul Craig Roberts e Michael Hudson, Paul Graig Roberts Website, traduzido no Blog do Alok [NTs].

[2] Sobre Glazyev, ver  “Aliança anti-dólar; “Entrevista com SG“; “Plutocracia ocidental“, dentre outros artigos traduzidos [NTs].